Por MELANIE ABRAMS
"Os fotógrafos de moda são os novos pintores", disse Peter Lindbergh
enquanto preparava a exposição de suas dramáticas imagens em preto e
branco na galeria Gagosian em Paris.
Quem teria imaginado, nos estonteantes anos 1980, quando as imagens
naturalistas clicadas por Lindbergh de Linda Evangelista, Cindy Crawford
e outras criaram o conceito de supermodelo, que o mundo da arte
deixaria de desprezar a fotografia de moda por seu caráter comercial?
Atualmente, a fotografia de moda é uma estrela artística em ascensão,
atraindo multidões e seduzindo colecionadores. Até a indústria da moda
está demonstrando mais respeito por essa vertente fotográfica.
Grandes nomes ganham espaço em museus, a exemplo da elegância clássica
de Horst no Victoria and Albert Museum, em Londres, e de "Alta Moda",
exposição de Mario Testino que mostra peruanas em trajes típicos, no
Dallas Contemporary.
Mark McKenna, diretor-executivo da Herb Ritts Foundation, citou a crise
econômica iniciada em 2008 como o catalisador para a valorização da
fotografia de moda. "As pessoas queriam se cercar de imagens de glamour e
beleza, pois a situação era assustadora e as fotos de moda
representavam o oposto do que estava acontecendo em seu cotidiano",
explicou ele.
Com a explosão de blogs de street-style, do Instagram e do Pinterest, a
fotografia de moda se tornou uma nova linguagem visual. "Estamos muito
cientes da aparência atual das pessoas, e é dessa maneira que vemos as
fotos hoje em dia", disse Michael Hoppen, cuja galeria em Londres
representa favoritos do mundo da moda, como Ellen von Unwerth e William
Klein.
Elizabeth Broun, diretora do Museu Smithsonian de Arte Americana, em
Washington, declarou: "Estamos bem mais receptivos à fotografia de moda
porque mudamos o foco de alta arte para cultura visual em geral".
Várias exposições têm atraído multidões, comprovando o amplo interesse
que despertam. A exposição de Ritts em 2012 no Getty Museum em Los
Angeles teve 364.656 visitantes, e "Images of Woman and the Unknown"
(imagens da mulher e do desconhecido), de Lindbergh, causou furor nesta
primavera na HDLU em Zagreb, Croácia. Segundo a galeria, ela atraiu
11.200 visitantes em três semanas, sendo a exposição de arte
contemporânea de maior sucesso nos últimos dez anos na Croácia e nos
países vizinhos.
Exposições de moda também geram novas oportunidades comerciais para as
galerias. Brett Rogers, diretora da Photographers' Gallery em Londres,
disse que a demanda para alugar a galeria para eventos corporativos
aumenta em média 20% quando há exposições de fotografia de moda como as
de Edward Steichen, marcante pelas silhuetas femininas elegantes, e da
fotógrafa holandesa Viviane Sassen, com seus looks vibrantes, ambas com
abertura agendada para 31 de outubro.
"Certas exposições de fotografia são ousadas demais para corporações",
disse ela, "porém belos trajes fazem mais empresas desejarem se associar
a eles e oferecer entretenimento nesses espaços."
A fotografia de moda também se tornou um investimento cada vez mais
atraente. Os preços em leilões têm disparado, com fotos de moda sendo
intensamente disputadas, graças a fotógrafos célebres como Richard
Avedon, Helmut Newton, Irving Penn e Lindbergh. Dois dos três lotes
principais no leilão de fotografia realizado pela Christie's em abril em
Nova York, por exemplo, eram compostos por imagens de Penn, e a foto
"Mulher com Rosas no Braço", de 1950, que mostra Lisa Fonssagrives-Penn
com um vestido de noite de Jeanne Lafaurie, foi vendida por US$ 185 mil.
A fotografia de moda também ganhou reconhecimento como uma parte
importante da indústria de moda atual, disse Inez Van Lamsweerde, que,
junto com Vinoodh Matadin, forma uma dupla conhecida nesse meio. Suas
imagens de moda manipuladas digitalmente são expostas com frequência em
espaços como o Museu Whitney de Arte Americana e a Bienal de São Paulo.
"Nós traduzimos a ideia dos estilistas em uma imagem que as pessoas
querem adquirir", comentou Van Lamsweerde. "Hoje em dia isso é mais
valorizado devido à internet e à necessidade de haver conteúdo
interessante on-line em uma cultura saturada de imagens." NYT, 21.10.14
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