quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Morre Sergio Rodrigues, pioneiro do design nacional: Criador da poltrona Mole tinha 86 anos e morreu em sua casa, no Rio


Peças do arquiteto vêm se valorizando nos últimos anos como ícones de brasilidade no mercado internacional

SILAS MARTÍDE SÃO PAULO
Um dos maiores nomes do design brasileiro, criador da famosa poltrona Mole, Sergio Rodrigues morreu, aos 86 anos, na manhã desta segunda (1º), em seu apartamento, no Rio. Segundo a mulher do designer, a causa da morte foi metástase de um câncer que ele enfrentava havia 12 anos.
Nascido em 1927, Rodrigues começou sua carreira como arquiteto, tendo trabalhado no projeto do Centro Cívico de Curitiba. Mesmo com cerca de 200 obras construídas em todo o país, a maioria delas casas, Rodrigues se firmou como designer de móveis.
No entanto, suas estratégias de construção tanto em móveis quanto nos prédios que criou eram muito próximas, pensando sempre na natureza dos encaixes de madeira, que ele comparava ao uso de letras num alfabeto.
"Isso caracteriza bem os meus móveis", disse Rodrigues à Folha em janeiro deste ano, às vésperas de abrir uma exposição em Nova York. "É a minha maneira de encarar a madeira, os encaixes."
Rodrigues despontou no cenário do design nacional com sua poltrona Mole, lançada em 1957, e estava em diálogo com os maiores pensadores do modernismo arquitetônico no país, tendo sido escalado por Lucio Costa para criar muitos dos móveis dos prédios de Brasília.
Desde então, seus móveis em madeiras do país são considerados ícones de brasilidade, em especial por romper com os padrões europeus que eram copiados na indústria moveleira nacional até a década de 1940. Com a descoberta do mobiliário moderno brasileiro pelo mercado estrangeiro, Rodrigues virou uma referência do país.
Um dos pontos fortes de sua obra é a fusão do vocabulário já consolidado pelo modernismo internacional, em especial o uso expressivo da madeira nos móveis escandinavos, e elementos da cultura indígena do Brasil, enfatizando as linhas orgânicas.
"Sou um pouco modesto, mas sei que a poltrona Mole continua sendo um ícone", disse Rodrigues na entrevista em janeiro. "Tem aquele estofamento de couro para você se atirar. Ela ainda causa um certo espanto."
Mesmo sendo a maior obra de Rodrigues, a poltrona Mole, que está até no acervo do MoMA, em Nova York, ficou de fora de novas encomendas de móveis do designer feitas na comemoração dos 50 anos de Brasília, há quatro anos. Folha, 02.09.2014.
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Dívida da Yukos com acionistas põe obras de arte russas em perigo: Gazeta Russa Como resultado de uma decisão do Tribunal da Haia, a Rússia deverá pagar US$ 50 bilhões para os antigos acionistas da empresa Yukos. Quadros e esculturas russos expostas no exterior poderão ser arrestadas para o pagamento da dívida? Afinal, já houve precedentes. A Gazeta Russa foi atrás da resposta

 10/08/2014 Dmítri Romendik 

Dívida da Yukos com acionistas põe obras de arte russas em perigo
Garantias governamentais outorgadas aos museus dão segurança aos objetos de valor Foto: Reuters

O Tribunal Permanente de Arbitragem da Haia obrigou a Rússia a pagar US$ 50 bilhões para os antigos acionistas da petroleira Yukos Oil Company.
Em breve será julgada a apelação e se a decisão do Tribunal for confirmada quase qualquer propriedade russa poderá ser arrestada em muitos países por pedido dos requerentes. Isso significa que as obras de arte  das coleções dos museus estatais russos exibidas no exterior poderão ser confiscadas? Afinal, já houve precedentes.
Noga x Rússia
Em 2005, a coleção do Museu Pushkin foi arrestada a pedido da empresa Suíça, Noga. Cinquenta e cinco pinturas de artistas franceses, de clássicos do século 18 e  até de Pablo Picasso estavam expostas na cidade de Martigny. Quando, após a exposição, as pinturas já  tinham sido embaladas para ser enviadas a Moscou, os oficiais de justiça as detiveram. O arresto foi realizado com base na decisão do Tribunal de Arbitragem de Estocolmo, de 1997, que tomou a decisão em favor da Noga em sua ação judicial contra a Rússia. 
“O caso do arresto dos quadros do Museu Pushkin foi um erro judicial. As garantias de segurança da exposição foram outorgadas pelas autoridades do cantão de Valais e não pelo governo federal da Suíça. Assim, quando o caminhão com os quadros atravessou a fronteira desse cantão, as garantias estatais deixaram de funcionar, e a decisão judicial entrou em vigor", diz o diretor geral do Sotheby’s na Rússia, Mikhail Kamenski.
Mesmo que os quadros tenham sido devolvidos ao museu russo, o caso gerou muita preocupação.
Nesse caso, houve simplesmente o registro negligente de documentos. Antes do envio da exposição era necessário obter garantias do governo suíço e não apenas da região.
“De acordo com o procedimento existente, o envio de exposição de museu estatal só é autorizado caso o país recipiente dessa exposição dê garantia. Isso significa que em qualquer circunstância os objetos de valor importados serão devolvidos", explica Kamenski. Assim, as garantias estatais são mais importantes do que qualquer julgamento do tribunal. Se essas garantias foram dadas, nenhum oficial de justiça pode contrariá-las.
Rabinos x Rússia 
Ilia Wolf, diretor geral do Fineartway, empresa que atua na área do transporte internacional de obras de arte, está de acordo com Kamenski. Ele também assegurou a segurança das exposições no exterior nesse período –principalmente  os quadros de Kazimir Malevich da coleção do Museu russo na Galeria Tate, em Londres, bem como as exposições permanentes da coleção Hermitage expostas na filial de Amsterdã. Essas obras estão expostas sob as garantias outorgadas pelo Estado, portanto, podem voltar para a Rússia sem problemas, assim como em ocasiões anteriores, pois de vez em quando  museus russos realizam exposições no exterior. 
No entanto, Wolf não tem certeza se as garantias de governos continuarão a ser outorgadas no futuro.
"Se a decisão da arbitragem da Haia entrar em vigor, talvez nós tenhamos com  alguns países uma situação parecida com aquela que está acontecendo no momento com os Estados Unidos por causa da decisão do tribunal americano sobre  biblioteca de Chabad-Lubavitch. Agora, os Estados Unidos não dão garantias de Estado e assim as exposições dos museus estatais russos não vão mais para lá. Por isso, é muito difícil prever a situação.”
Em 2006, vários rabinos da organização Chabad entraram com petição no tribunal federal de Washington. Eles questionaram o direito da propriedade da Rússia sobre a biblioteca de livros religiosos de Schneerson, que continua no país após quase 100 anos desde a emigração de seu proprietário. Em 2010, o Tribunal decidiu em favor dos rabinos e impôs multa de US$ 50 mil por dia, que a Rússia terá que pagar até a execução de sua decisão. A Rússia se recusou a devolver os livros e isso suspendeu o intercâmbio de museus estatais entre os dois países. 
É claro que as garantias governamentais outorgadas aos museus dão segurança aos  objetos de valor. No entanto, no exemplo dos Estados Unidos, vimos que em casos semelhantes, o governo pode se recusar a fornecer esse tipo de garantias. O coproprietário da galeria moscovita Triumph, Dmítri Hankin, compartilhou suas preocupações, pois devido a esses riscos, o Ministério da Cultura pode se recusar a autorizar a organização de exposições no exterior, o que poderia levar à suspensão do intercâmbio entre museus.
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“Falta interatividade aos museus antigos”, diz diretora do Museu Pushkin: Nova diretora do museu moscovita defende a universalização da arte, inclusive por meios eletrônicos

“Falta interatividade aos museus antigos”, diz diretora do Museu Pushkin
Loshak pretende aproximar o Museu Pushkin dos padrões ocidentais modernos Foto: Kommersant
Marina Lochak, a nova diretora do Museu Pushkin, e Irina Antonova, que dirigiu o espaço por mais de meio século, são pessoas de formações, gerações e pontos de vista diferentes. Lochak guarda convicções liberais e tem uma grande experiência no campo da divulgação artística, o que revelou logo de cara.
“Ainda antes de tomar posse, a primeira coisa que fiz foi colocar uma pergunta no Facebook: O que é que vale a pena mudar? A população reagiu o melhor possível, com propostas concretas e análise da situação. Na minha opinião, é essa interatividade que falta ao museu Púchkin, como a todos os museus antigos”, disse Lochak à Gazeta Russa. “Para tornar nosso museu mais moderno e atualizado, são necessárias medidas simples e concretas, como entender que o museu é para todos, não só para os que beneficiaram de uma educação em artes.”
Lochak é especialista em Arte Contemporânea e vanguardismo russo, o que aparentemente não condiz com o cargo de diretora de um museu acadêmico que abriga uma coleção ímpar de pinturas do Renascimento e do século 19.
“Nos museus de arte moderna há algo de laboratório, mas o nosso é diferente. Estamos falando sobre uma arte que ganhou um valor museológico indiscutível, sobre artistas que já entraram para a história”, disse a diretora, que cultiva certa predileção por curadores de arte que congregam reflexões fundindo história e arte. “Gosto especialmente de um deles, Jean Hubert Martin, admirável curador que promove uma interação entre arte antiga e moderna”, acrescentou.
Apesar de sua versatilidade, energia e visão moderna, Lochak não pensa em mudanças radicais. “Sem dúvida, a minha experiência profissional tem mais a ver com museus de formas de instalação mais abertas e mutáveis. Agora me deparei com uma realidade muito peculiar”, disse. Em breve, será iniciada a construção de uma ampla ala para o museu, “do qual dependerá a concepção do museu no futuro”.
Antes disso, Lochak quer aprimorar a conservação e criação de catálogos eletrônicos, bem como desenvolver uma versão virtual do museu.
Acesso à arte 
Um pouco antes de Lochak ser indicada ao posto de diretora, uma discussão entre os museus Hermitage e Pushkin atraiu a atenção pública. O motivo era a recuperação do Museu da Nova Arte Ocidental (MNAO), cuja coleção foi repartida entre os dois museus. Na altura, Antónova sugeriu que as obras fossem reunidas, mas a proposta foi recusada.
O presidente Vladímir Pútin e o ministro da Cultura, Medínski, anunciaram oficialmente que o MNAO não será recuperado, e os dois museus permanecerão como estão.  
“Sonho com que haja um museu desses, pois estou certa de que transformaria Moscou em um polo de apreciadores do modernismo ocidental. No entanto, estamos perante uma questão que deve ser resolvida por aqueles que são responsáveis pela estratégia estatal do desenvolvimento cultural do país”, disse Lochak.
Quanto à comunidade museológica, cabe-lhe assumir apenas os papéis como especialistas, garante a diretora do Museu Pushkin. “O mesmo pode-se dizer sobre a restituição de valores museológicos. É de conhecimento de todos que, no Museu Púchkin, há muitas peças de arte que são troféus de guerra. Este é um problema estatal e não museológico. Acho que a abertura máxima facilitaria a resolução desta questão: quanto mais exposições melhor, não esconder nada, mostrar tudo, descrever, deixar qualquer cidadão ver esses quadros”, finaliza. 18/07/2013 Ian Chénkman, Gazeta Russa.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Arte tecnológica fica mais 'contemplativa': Obras no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica focam menos a tecnologia para priorizar aspectos formais

Curadora do evento diz que trabalhos fogem das projeções no escuro e se aproximam mais da escultura tradicional

SILAS MARTÍDE SÃO PAULO
Quando a fachada do prédio da Fiesp, na avenida Paulista, começa a acender e apagar com animações um tanto psicodélicas, paulistanos já sabem que está em cartaz o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, o File, este ano em sua 15ª encarnação.
Mais uma vez, como de costume, uma obra ocupa a casca metálica do prédio, um colorido vulcão em erupção com lava eletrônica que escorre nas cores do arco-íris.
Lá dentro, o tom segue estroboscópico, com trabalhos que giram, piscam, berram e se mexem em velocidade cada vez maior, numa espécie de balada ultratecnológica.
Nada mal para quem acha os museus de arte lugares muito calminhos e estáticos. Mas é nesse ponto que o File deste ano parece inovar, deslocando o foco de obras escandalosas, calcadas no deslumbre da tecnologia, para peças mais contemplativas.
Logo na entrada, uma instalação do artista japonês Ei Wada em que fitas magnéticas se desenrolam vagarosas dentro de caixas de acrílico para depois serem sugadas de volta para o lugar é um contraponto delicado à algazarra que domina o festival.
Nessas fitas, está gravada uma valsa e seu lento desenrolar parece corresponder à cadência da música, dando uma dimensão física do som, até que a ação de rebobinar subverte esse espetáculo de forma um tanto violenta.
"Leva meia hora para a fita se desenrolar, mas ela volta para o lugar em um minuto", diz Wada. "É uma reflexão sobre o caráter físico do som, imaginando como sociedades futuras veriam esse velho suporte de gravação."
Outra obra nessa veia menos espetacular são cadernos criados pelo norte-americano Matt Kenyon. De longe, eles parecem ter folhas pautadas normais, dessas que se compram nas papelarias.
Mas cada linha é, na verdade, formada pela inscrição diminuta dos nomes de civis mortos no Iraque durante a ocupação americana do país.
"Levei esses cadernos para o almoxarifado do governo americano", conta Kenyon, sobre a obra que acaba de entrar para o acervo do MoMA, em Nova York. "A ideia é que isso entre nos arquivos permanentes do governo, que os nomes estejam debaixo do nariz dos que comandam essas operações."
FIM DA CAIXA PRETA
É nesse sentido que Paula Perissinoto, uma das organizadoras do File, diz que as obras no festival estão menos presas às caixas pretas, no caso, a projeções luminosas em ambientes sempre escuros.
"Esses novos trabalhos estão ganhando um caráter de escultura", diz Perissinoto. "Eles já têm um caráter mais plástico, são organismos vivos agora mais independentes da ação do espectador."
De fato, uma ala inteira deste festival tem vídeos mais convencionais, com a diferença que o que surge na tela é às vezes meio assustador.
Um deles é o clipe da banda japonesa Sayonara Ponytail, em que uma colegial canta um pop chiclete debaixo d'água numa piscina, com o detalhe que seus olhos estão arregaladíssimos. Dá medo. Folha, 27.08.2014.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Em feira, fotógrafos aderem à moda de fazer peças únicas: Na contramão da tecnologia, artistas querem devolver aura de raridade a imagens que deixam de ter edições

Oitava edição da SP-Arte/Foto começa hoje com destaque para fotos de tiragens baixas e preços mais elevados

SILAS MARTÍDE SÃO PAULO
Em tempos de imagens cada vez mais descartáveis, nada parece mais antiquado do que falar em aura de uma obra de arte. Mas artistas contemporâneos estão tentando devolver a sensação que se perdeu de estar diante de algo raro ao criar impressões únicas de suas fotografias.
Na contramão da revolução digital, artistas que mostram seus trabalhos agora na oitava edição da feira SP-Arte/Foto, no shopping JK Iguatemi, falam em "ressacralizar" o contato com a obra.
Uma delas é a "gigantografia" de Rodrigo Petrella --a visão de uma floresta que ocupa uma parede inteira do estande da galeria Paralelo só existe em cópia única, ao contrário de edições que podem chegar até as centenas no mercado da fotografia.
"Tudo ficou fácil e banal com a tecnologia, mas assim se torna uma visão única", diz Petrella.
Fotógrafo badalado do cenário atual, Caio Reisewitz também aderiu à moda da cópia única. "É legal por dar à fotografia um caráter exclusivo", diz. "Nas colagens que faço, não existe negativo. É uma peça feita à mão."
Ou seja, uma obra que pode custar mais caro. Quanto maior a tiragem de uma fotografia, menor o seu valor de mercado. Mas a concorrência cada vez mais acirrada por novos colecionadores vem fazendo galeristas e artistas buscar novos meios para tornar até algo passível de reprodução em artigo raríssimo.
VINTAGE
É o caso da galeria Luciana Brito, que concentrou suas forças em impressões vintage --aquelas ampliadas pelo próprio artista em vida-- de clássicos modernistas como Thomaz Farkas, Geraldo de Barros e Gaspar Gasparian e peças únicas ou raras de contemporâneos, como Regina Silveira e Marina Abramovic.
Um painel de imagens da artista sérvia na famosa performance "Art Must Be Beautiful", aquela em que se despenteia gritando que a arte deve ser bela, é uma das peças mais caras da feira, chegando a R$ 200 mil por ser a última de uma edição de três.
Na outra ponta do mercado, há obras na faixa dos R$ 1.000, essas com tiragens maiores, já que o grosso do mercado ainda não entrou na moda das peças únicas.
"É legal isso, mas não temos essa política", diz Lucas Cimino, da galeria Zipper. "Como a gente trabalha com artistas jovens, nossa ideia é disseminar o trabalho deles."
Um deles é João Castilho, nome que despontou nos últimos anos e tem forte presença na feira. Outro destaque, com obras de até R$ 150 mil, é o estande da Leme, com fotos imensas dos alemães Candida Hofer e Frank Thiel.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Nova diretora criativa da Tiffany quer quebrar padrão da joalheria: Francesca Amfitheatrof economiza pedras preciosas em criações

PEDRO DINIZ

COLUNISTA DA FOLHA
"Eu sei o que os homens querem, mas eles sabem o que nós queremos?" Em pouco mais de meia hora de conversa numa galeria de arte em São Paulo, a nipo-inglesa Francesca Amfitheatrof deixa claro a que veio: quer mudar radicalmente o mundo da joalheria, que hoje, segundo ela, "é masculino demais".
Anunciada como a nova diretora criativa da grife americana Tiffany & Co., Amfitheatrof é a primeira mulher líder de uma das marcas da santíssima trindade da joalheria mundial, que inclui as francesas Cartier e Van Cleef & Arpels, ambas comandadas por designers homens.
As mudanças propostas por ela já começaram e devem mudar a forma com a qual os designers enxergam o valor das peças, geralmente calcado na exuberância das pedras preciosas.
Em suas primeiras coleções para a marca, como a T Collection, a ser lançada na próxima semana, Amfitheatrof quase não inclui gemas. Na linha anterior, Blue Book, usou diamantes pontuais nas peças cujos valores ultrapassavam os quatro dígitos.
"As pedras são importantes, mas sou uma metalista', me interesso muito mais por materiais como a prata e o ouro e como eles podem virar objetos de arte", diz.
MATEMÁTICA
Ela criou com sua nova equipe de artesãos uma técnica para produzir colares, anéis e pulseiras a partir de cálculos geométricos. Daí saíram correntes entrelaçadas e anéis que, em vez de formarem um círculo fechado, têm uma fenda no meio.
Para se ter uma ideia da força que Amfitheatrof tem, ao dizer à "Vogue" inglesa que pode mexer no padrão da caixa de presentes da Tiffany --de um azul piscina que é marca registrada da casa--, ela foi assunto de artigos que questionavam o futuro da empresa francesa.
Pisar num território tão tradicional como o da joalheria não amedronta a designer, conhecida por sua amizade com artistas plásticos e galeristas pop britânicos, como Jay Jopling, fundador do White Cube e que colocou o nome da amiga em evidência.
"Vou transpor para as criações da Tiffany essa bagagem no mercado de arte, que, assim como o da joalheria, tem muito a ver com emoção", adianta Amfitheatrof.
Ela diz saber que muitos homens ainda compram joias como presentes para as mulheres. Mas seu objetivo é falar "às mulheres que consomem joias como uma extensão da própria personalidade", afirma. Folha, 13.08.14.
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