quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Nova diretora criativa da Tiffany quer quebrar padrão da joalheria: Francesca Amfitheatrof economiza pedras preciosas em criações

PEDRO DINIZ

COLUNISTA DA FOLHA
"Eu sei o que os homens querem, mas eles sabem o que nós queremos?" Em pouco mais de meia hora de conversa numa galeria de arte em São Paulo, a nipo-inglesa Francesca Amfitheatrof deixa claro a que veio: quer mudar radicalmente o mundo da joalheria, que hoje, segundo ela, "é masculino demais".
Anunciada como a nova diretora criativa da grife americana Tiffany & Co., Amfitheatrof é a primeira mulher líder de uma das marcas da santíssima trindade da joalheria mundial, que inclui as francesas Cartier e Van Cleef & Arpels, ambas comandadas por designers homens.
As mudanças propostas por ela já começaram e devem mudar a forma com a qual os designers enxergam o valor das peças, geralmente calcado na exuberância das pedras preciosas.
Em suas primeiras coleções para a marca, como a T Collection, a ser lançada na próxima semana, Amfitheatrof quase não inclui gemas. Na linha anterior, Blue Book, usou diamantes pontuais nas peças cujos valores ultrapassavam os quatro dígitos.
"As pedras são importantes, mas sou uma metalista', me interesso muito mais por materiais como a prata e o ouro e como eles podem virar objetos de arte", diz.
MATEMÁTICA
Ela criou com sua nova equipe de artesãos uma técnica para produzir colares, anéis e pulseiras a partir de cálculos geométricos. Daí saíram correntes entrelaçadas e anéis que, em vez de formarem um círculo fechado, têm uma fenda no meio.
Para se ter uma ideia da força que Amfitheatrof tem, ao dizer à "Vogue" inglesa que pode mexer no padrão da caixa de presentes da Tiffany --de um azul piscina que é marca registrada da casa--, ela foi assunto de artigos que questionavam o futuro da empresa francesa.
Pisar num território tão tradicional como o da joalheria não amedronta a designer, conhecida por sua amizade com artistas plásticos e galeristas pop britânicos, como Jay Jopling, fundador do White Cube e que colocou o nome da amiga em evidência.
"Vou transpor para as criações da Tiffany essa bagagem no mercado de arte, que, assim como o da joalheria, tem muito a ver com emoção", adianta Amfitheatrof.
Ela diz saber que muitos homens ainda compram joias como presentes para as mulheres. Mas seu objetivo é falar "às mulheres que consomem joias como uma extensão da própria personalidade", afirma. Folha, 13.08.14.
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    Mostra revê mestiçagem na arte do país: Exposição com mais de 400 obras desconstrói mitos sobre relações entre raças do Brasil colonial ao contemporâneo

    Embaralhando períodos históricos e correntes estéticas, curadores criam turbilhão de discursos sobre o tema

    SILAS MARTÍDE SÃO PAULO
    Um negro e uma mameluca estão lado a lado como símbolos da mistura de raças que construiu o Brasil atual.
    Essas telas do século 17 criadas pelo holandês Albert Eckhout, consideradas o retrato fundador do homem americano, sintetizam com certa ironia a ideia de "Histórias Mestiças", mostra agora no Instituto Tomie Ohtake com mais de 400 trabalhos sobre como a questão racial se manifesta na arte do país.
    "Um dos desafios dessa exposição é subverter o senso comum", diz a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, uma das curadoras da mostra. "Existe mestiçagem como mistura, mas ela é também separação. Esses discursos mestiços vêm da discriminação e do racismo violento."
    De fato, nesse panorama de arquivos históricos, obras inéditas e peças de mais de 60 acervos do mundo todo, a ideia de violência no trato entre as raças atravessa todos os trabalhos, algo às vezes latente, às vezes escancarado.
    Numa mesma parede estão um retrato acadêmico da princesa Isabel, cartões-postais com imagens de escravos no Brasil colonial, os autorretratos de Adriana Varejão com o rosto coberto de padrões indígenas e um esboço da "Negra", de Tarsila do Amaral, entre outas peças.
    É um coro de vozes que se atropelam, o que faz dessa mostra um tanto difícil de se ver --e isso é intencional.
    Noutra sala, três séries de trabalhos brigam pela atenção da mesma forma --em cima, desenhos de um índio, no meio, aquarelas de um artista viajante que mostra os primeiros contatos entre portugueses e indígenas e, embaixo, a série "Marcados", em que Claudia Andujar retratou índios como judeus num campo de concentração.
    "Não é tanto uma história da mestiçagem. É mais uma mestiçagem de histórias", diz Adriano Pedrosa, outro curador da mostra. "Tem certa pluralidade e inconstância."
    Nesse ponto, os vários momentos históricos, correntes estéticas e autores de origem distintas embaralhados na mostra vão derrubando qualquer noção de certeza para criar no museu um turbilhão perturbador, o que os curadores resumem como ideia de "fricção" entre os trabalhos.
    Mesmo alguns nomes mais conhecidos, como Alfredo Volpi, José Pancetti, Iberê Camargo ou Antônio Bandeira, aparecem na mostra com obras que fogem do estilo que os consagrou, todos eles com retratos figurativos de personagens negros ou mulatos.
    Outro ponto alto de "fricção" é a sala dedicada a obras têxteis de índios e grupos de escravos, em que motivos geométricos aparecem como signos de distinção entre tribos e nações, mas ao mesmo tempo ecoam as formas que dominariam o concretismo.
    "É outra maneira de ver", afirma Pedrosa. "Podemos pensar que a abstração geométrica já estava entre nós."
    RUÍDOS HISTÓRICOS
    Na mesma pegada desses ruídos históricos, uma das salas mais desconcertantes da mostra justapõe representações clássicas de momentos históricos brasileiros, como uma primeira missa de Rugendas ou o descobrimento visto por John Graz, a obras de artistas contemporâneos.
    Enquanto Thiago Martins de Melo revê a chegada dos portugueses como invasão violenta, Luiz Zerbini transforma a primeira missa em estranho ritual multirracial, solapando relatos históricos.
    Moritz Schwarcz, aliás, lembra que a mostra entra em cartaz num momento em que se discutem direitos civis no país. "É algo que se coloca bem na hora em que o país está tentando tirar um retrato 3 x 4 um pouco diferente."

    terça-feira, 12 de agosto de 2014

    Interesse das massas lota museus

    Por RACHEL DONADIO

    PARIS - Numa tarde em julho, a fila para entrar no Louvre dava a volta da pirâmide na entrada, atravessava um pátio longo e adentrava o seguinte. Dentro do museu, uma multidão se formava diante da "Mona Lisa", a maioria das pessoas fazendo fotos com seus celulares. Perto da "Vitória Alada de Samotrácia", Jean-Michel Borda, que tinha vindo de Madri, fez uma pausa no meio da multidão. "É como o metrô no início da manhã", comentou.
    No auge do verão europeu, milhões de turistas visitam o Louvre -o museu de arte mais movimentado do mundo, que no ano passado recebeu 9,3 milhões de visitantes- e outros grandes museus em toda a Europa. O número de visitantes aumenta a cada ano, refletindo o surgimento de novas classes médias, especialmente na Ásia e Europa Oriental. O Museu Britânico teve um número recorde de visitantes no verão passado e ao longo de 2013 recebeu 6,7 milhões de visitantes, sendo o segundo mais visitado museu de arte do mundo, segundo o "Art Newspaper". O número de visitantes da Galeria Uffizi, em Florença, no primeiro semestre de 2014 foi quase 4% superior ao mesmo período do ano passado.
    O público farto converteu muitos museus em espaços superlotados, obrigando as instituições a debater como conciliar a acessibilidade com a preservação das obras de arte. A maioria dos museus oferece ingressos com hora marcada. Para proteger as obras de arte, alguns estão instalando novos sistemas de ar condicionado. Mesmo assim, para alguns críticos essas medidas não bastam.
    No ano passado os Museus do Vaticano receberam 5,5 milhões de visitantes, um recorde de público. Este ano, graças à popularidade do papa Francisco, a previsão é que esse número suba para 6 milhões. O Vaticano está instalando um novo sistema de controle climático na capela Sistina para ajudar a poupar os afrescos de Michelangelo da umidade gerada pelas 2.000 pessoas que lotam o espaço em qualquer horário -recentemente, até 22 mil pessoas por dia.
    O diretor dos Museus do Vaticano, Antonio Paolucci, disse que sua instituição enfrenta um dilema: para proteger os afrescos, o número de visitantes não pode aumentar. "Mas a Capela Sistina possui um valor religioso simbólico para os católicos, e não podemos impor um limite."
    Mas as visitas a museus podem se tornar cansativas. A guia de turismo Patricia Rucidlo, em Florença, disse que as visitas à Accademia, famosa por abrigar o "Davi" de Michelangelo, viraram "um pesadelo" este ano porque agora é permitido tirar fotos.
    "Agora as pessoas se acotovelam diante das pinturas, pisam sobre qualquer pessoa, empurram, fazem uma foto e então avançam rápido, sem sequer olhar para a tela", ela escreveu em mensagem de e-mail.
    Para muitos, porém, vale a pena enfrentar as multidões e as filas longas. No Louvre, Manu Srivastan, 46 anos, de Jabalpur, Índia, contou que tinha vindo com sua família.
    Estavam esperando havia 45 minutos e ainda teriam que aguardar mais 15, mas não estavam incomodados. "O Louvre é uma experiência incrível", ele disse. "Você aprende muito e sempre quer voltar."NYT, 12.08.14.

    http://www.theartnewspaper.com




    quinta-feira, 31 de julho de 2014

    Ricos fazem subir vendas no mercado de arte: Leilões londrinos tiveram aumento de 26% nos negócios em relação ao verão passado

    SCOTT REYBURN - DO "NEW YORK TIMES", EM LONDRES

    A tendência parece ser crescente e irrefreável. Na semana passada, Sotheby's, Christie's e Phillips levantaram um total de US$ 340 milhões (R$ 757 milhões) com seus leilões londrinos de arte do pós-guerra e contemporânea --um aumento de 26% em relação às vendas equivalentes no verão passado.
    Antes dos leilões em Londres houve a feira Art Basel, na Suíça, em junho, onde um autorretrato de Andy Warhol foi vendido por US$ 30 milhões (R$ 67 milhões), e uma série de leilões diurnos e noturnos de arte contemporânea, em Nova York em maio, que rendeu um total de US$ 1,6 bilhão (R$ 3,6 bilhões).
    "O tempo do colecionador sonolento ficou para trás", comenta Amy Cappellazo, fundadora da Art Agency Partners, de Nova York, que estava em Londres para comprar obras. "Hoje os mais ricos dos ricos veem a arte como divisa alternativa. A arte virou um negócio enorme." Londres foi a escala mais recente do circuito de arte.
    Não se viram muitos rostos novos nos leilões de Londres ou na Basileia. Se novos compradores não estão invadindo níveis superiores do mercado de arte, é menos provável que a expansão atual represente uma bolha especulativa.
    O que é certo é que os compradores mais ricos estão centrando sua atenção numa gama menor de nomes de alto prestígio e baixo risco.
    Anders Petterson, fundador e diretor da firma londrina de analistas ArtTactic, disse que os dez artistas mais caros foram responsáveis por 73% dos US$ 330,4 milhões (R$ 735,8 milhões) arrecadados nos leilões noturnos da Sotheby's e Christie's.
    Francis Bacon é o artista mais caro do mercado contemporâneo, depois dos US$ 142,4 milhões (R$ 317 milhões) pagos por um grande tríptico dele em novembro, em Nova York.
    Pesquisas da Arts Economics em Dublin mostraram que, dos 36 mil artistas registrados no mercado mundial de leilões de arte do pós-guerra e contemporânea, menos de 50 já tiveram obras vendidas por mais de US$ 13,5 milhões (R$ 30 milhões).
    Em uma noite na Christie's, a monotonia foi rompida quando a obra mais famosa de Tracey Emin, a instalação "My Bed" (1998), foi vendida por US$ 4,2 milhões (R$ 9,2 milhões), ao marchand da artista em Londres. Em maio, a obra estava estimada em até US$ 2 milhões (R$ 4,4 milhões).
    Na entrevista coletiva após o leilão, Francis Outred, o diretor europeu de arte contemporânea da Christie's, disse que, embora as aquisições da noite tivessem sido dominadas por colecionadores conhecidos, 190 clientes de 28 países tinham feito lances.
    Ainda é apenas uma fração minúscula das 199.235 pessoas no mundo que a UBS e a consultoria Wealth-X estimam que tivessem mais de US$ 30 milhões em ativos em 2013. Em outras palavras, apesar da divulgação pela mídia do crescimento implacável do mercado de arte, aquela noite na Christie's foi dominada por 0,1% dos 0,1%.

    Livro revelador fala de dramas e obsessões de Richard Serra: Obra com artigos e entrevistas também expõe método de trabalho do escultor

    AS CONVERSAS MOSTRAM UM ARTISTA CONCENTRADO, MAIS PRESO NO PROCESSO DO QUE NO RESULTADO E RODEANDO A PRÓPRIA OBRA

    FERNANDO SERAPIÃOESPECIAL PARA FOLHA
    Há mais de 30 anos a obra do escultor e desenhista norte-americano Richard Serra é mapeada por intelectuais de diferentes cepas e lugares. No Brasil, seu trabalho inundou textos de autores diversos, de Ronaldo Brito a Bernardo de Carvalho.
    Por outro lado, suas palavras esparramavam-se por aqui em raros artigos borrifados em periódicos de circulação restrita ou em entrevistas para a imprensa (nas últimas três décadas, por exemplo, a Folha imprimiu quatro conversas com ele).
    Por isso, o volume lançado pelo Instituto Moreira Salles reunindo textos e entrevistas de Serra (80% deles inéditos no Brasil), intitulado "Richard Serra: Escritos e Entrevistas 1967 - 2013" é uma rara oportunidade que expande para o leitor local as opiniões e o processo de trabalho do autor.
    Assimétricos, os artigos são sintomáticos. O mais antigo é de 1971 e arqueia uma espécie de ponte imaginária que articula a trajetória de Richard Serra, misturando sua formação em literatura e artes plásticas.
    Trata-se de uma lista com 108 verbos que sistematiza a feitura do trabalho artístico de Serra (como "arquear", "torcer" ou "desordenar", e todos os outros deste texto).
    Em outros artigos, ele tece o passo a passo de uma obra (de maneira maçante, mas reveladora) ou remete à linguagem da reportagem, fluindo um relato, em primeira pessoa, da remoção de uma de suas principais obras.
    O melhor do volume são as entrevistas, longas e articuladas por curadores e críticos de arte.
    As conversas modulam o destaque em parte porque Serra abre um pouco a guarda, esparramando dramas (como a morte de um montador de uma de suas peças) e obsessões (como a do uso do aço), sem, contudo, iluminar sua personalidade, tão áspera quanto as chapas de suas esculturas.
    As entrevistas revelam um artista concentrado, mais preso no processo do que no resultado e rodeando o próprio trabalho ("uma obra critica a outra"). Os diálogos o marcam como um crítico sagaz da produção alheia e do mercado da arte.
    O volume ilumina o que as obras inundam: o tema central de Serra é o espaço. Se as esculturas nos espaços públicos são controversas por desordenar a percepção da espacialidade, nos espaços fechados elas prendem a atenção dos observadores, rompendo reações inesquecíveis.
    A espacialidade e a tectônica das esculturas forçam um estreito diálogo (e tensão) com a arquitetura.
    Ele confessa que circunda o tema besuntando-se da percepção de obras arquitetônicas sublimes (como Ronchamp, de Corbusier), ao mesmo tempo que é um crítico da produção arquitetônica atual.

    quinta-feira, 17 de julho de 2014

    Museus gratuitos

    Um dia por semana, ou em determinados horários, é possível economizar no preço do passeio cultural

    TATIANA BABADOBULOSCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA
    Desde abril, o Louvre, em Paris, não tem mais entrada gratuita no primeiro domingo do mês durante a alta temporada, de abril a setembro. A prática acabou pois os estrangeiros dominavam o local e não davam chance para os moradores da cidade.
    Mas vários museus abrem -durante todo o ano- suas portas para a visitação em dias e horários para aqueles que querem pagar menos do que o ingresso original. Conheça sete estabelecimentos que possuem entrada gratuita ou com preço sugerido, que pode ser de US$ 1 (R$ 2,21).
    MUSEU DO LOUVRE
    ONDE 75.058, Paris
    Obras além da obra-prima de Leonardo da Vinci, "Monali-sa", tem coleções do Egito, da civilização greco-romana, obras de Ticiano, Rembrandt, Goya e Michelangelo
    PREÇO regular € 12 (R$ 39)grátis de outubro a março, no primeiro domingo do mês
    HORÁRIO de sáb. a seg. e qui., das 9h às 18h; qua. e sex., das 9h às 21h45
    SITE louvre.fr
    MUSEU D'ORSAY
    ONDE 62, rue de Lille, Paris
    Obras aberto em 1986, tem enorme acervo de obras impressionistas, como quadros de Van Gogh, Monet, Edgar Degas e outros. Há também exposições temporárias
    PREÇO regular € 11 (R$ 33)GRÁTIS todo o primeiro domingo do mês
    HORÁRIO ter., qua., sex., sáb. e dom., das 9h30 às 18h; qui., das 9h30 às 21h45
    SITE musee-orsay.fr
    MUSEO DO PRADO
    ONDE Calle Ruiz de Alarcón, 23, MadriObras "A Anunciação", de Fra Angelico, "O Lavatório", de Tintoretto, "As Meninas", de Velázquez, e "A Família de Carlos 6º", de Goya, entre outros trabalhos
    PREÇO REGULAR € 14 (R$ 42)GRÁTIS de seg. a sáb., das 18h às 20h; dom., das 17h às 19h
    HORÁRIO de seg. a sáb., das 10h às 20h; dom., das 10h às 19h
    SITE museodelprado.es
    Met
    (The Metropolitan Museum of Art)
    ONDE 1.000 5th Avenue, Nova York
    Obras reúne mais de 2 milhões de trabalhos, como obras de Camille Pissarro, Monet e Degas
    PREÇO REGULAR US$ 25 (R$ 56) grátis o museu pede contribuição do visitante, que pode ou não pagar
    HORÁRIO de dom. a qui., das 10h30 às 17h30; sex. e sáb., das 10h30 às 21h
    SITE metmuseum.org
    MoMA
    (Museum of Modern Art)
    ONDE 1 West 53 Street, Nova York
    OBRAS possui mais de 150 mil trabalhos, como "A Persistência da Memória", de Salvador Dalí
    PREÇO regular US$ 25 (R$ 56)Grátis às sex., das 16h às 20h
    *HORÁRIO*de sáb. a qua., das 10h30 às 17h30; qui. e sex., das 10h30 às 20h
    SITE moma.org
    Museu Picasso
    ONDE Montcada, 15-23, Barcelona
    OBRAS traz mais de 4.000 obras do artista espanhol, incluindo as da fase Azul, como "Maternidade"
    PREÇO NORMAL € 11 (R$ 33) Grátis dom., a partir das 15h, e todo o primeiro domingo do mês.
    HORÁRIO ter. a dom., 9h às 19h; qui., das 9h às 21h30
    SITE www.bcn.cat/museupicasso
    Masp
    (Museu de Arte de São Paulo)
    ONDE av. Paulista, 1.578, São Paulo
    OBRAS reúne obras de Ticiano, Renoir, Monet e Van Gogh
    PREÇO REGULAR R$ 15 GRÁTIS às terças
    HORÁRIO de ter. a dom., das 10h às 18h; qui., das 10h às 20h
    SITE masp.art.br

    Mundo dos leilões é cenário de bom suspense

    Giuseppe Tornatore filma com elegância uma história cheia de distúrbios psíquicos, voyeurismo e mistificações

    ALEXANDRE AGABITI FERNANDEZCOLABORAÇÃO PARA A FOLHA
    Conhecido pelo academicismo e pelos contornos melodramáticos que imprime a seus filmes, o italiano Giuseppe Tornatore está de volta com uma obra um pouco diferente.
    "O Melhor Lance" é um drama cheio de suspense ambientado no mundo dos leilões de arte e rodado em locações deslumbrantes, com trilha sonora de Ennio Morricone.
    A figura central é Virgil Oldman (Geoffrey Rush), leiloeiro de antiguidades e obras de arte que desfruta de enorme prestígio por causa da habilidade para identificar, com um rápido olhar, uma pintura falsificada.
    Avesso às relações sociais e às mulheres em especial, o cabotino e rabugento Oldman só está à vontade quando aprecia --sozinho e em uma sala secreta-- sua vasta coleção de retratos femininos que inclui obras dos pintores Tiziano, Goya, Rafael, Durer, Renoir e muitos outros mestres.
    A vida desse personagem muda bruscamente quando a misteriosa Claire Ibbetson (Sylvia Hoeks) o contrata para avaliar a enorme coleção de arte que herdou dos pais. Ela sofre de agorafobia [medo doentio de estar sozinha em locais públicos] e se recusa a aparecer diante de Oldman.
    Intangível como as mulheres retratadas em seus quadros, a jovem Claire desperta nele uma curiosidade obsessiva que se torna fascinação, lançando-o em uma aventura perigosa.
    Tornatore filma com elegância essa história de distúrbios psíquicos, voyeurismo e mistificação --jogando o tempo todo com o visível e o invisível.
    Quase tudo acontece na mansão de Claire, cujas salas secretas guardam vários segredos, assim como as engrenagens de uma engenhoca mecânica que Oldman encontra no porão. Nem tudo é completamente elucidado.
    Apesar de várias reviravoltas --algumas engenhosas, outras inúteis, alongando um pouco o filme--, que vão dando pistas esparsas sobre o quebra-cabeças, o desfecho guarda uma boa dose de surpresa.